quinta-feira, 28 de maio de 2015

Minas Gerais será dividida em territórios de desenvolvimento regional

Fóruns regionais também serão criados para participação popular nos processos de elaboração do PMDI e do PPAG.o para impres

Anúncio oficial da divisão de Minas em 17 territórios de desenvolvimento econômico e social ocorrerá em 9 de junho
Anúncio oficial da divisão de Minas em 17 territórios de desenvolvimento econômico e social ocorrerá em 9 de junho - Foto: Alair Vieira
O Estado de Minas Gerais será dividido em 17 territórios de desenvolvimento regional. A informação foi passada durante audiência pública nesta quinta-feira (28/5/15) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 
Promovida pela Comissão de Participação Popular, a reunião recebeu representantes do Governo do Estado para falarem sobre as diretrizes do Executivo relacionadas à participação popular nos mais diversos setores. O encontro foi requerido pela presidente da comissão, deputada Marília Campos (PT).
O lançamento da divisão de Minas em territórios de desenvolvimento econômico e social ocorrerá em 9 de junho. No mesmo dia, será anunciada também a criação de 17 fóruns regionais, um em cada território. Esses fóruns serão o 'braço' da participação popular dentro desses territórios e terão o objetivo de atrair a sociedade para a discussão e elaboração de políticas públicas dentro do Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI) e do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG). “Em casa território criado, haverá população, governo e Poder Legislativo elaborando e priorizando políticas públicas para o Estado”, explicou o secretário-adjunto de Estado de Governo, Francisco Eduardo Moreira.
Com a criação dos territórios, a atual divisão do Estado em dez macrorregiões deixará de existir. Para o secretário-adjunto de Estado de Planejamento e Gestão, Wieland Silberschneider, essas dez regiões administrativas, desenhadas nos anos 90, funcionaram apenas como referência burocrática. 
“Em nenhum momento essa divisão orientou a gestão do Governo de Minas, tanto é que todos os órgãos do Estado possuem regionalizações próprias, em recortes que superam esse número de dez regiões”, salientou. 
A partir de agora, as subdivisões internas das secretarias de Estado precisarão se adequar às 17 novas divisões territoriais.
“Em nenhum momento, governos anteriores tiveram ação de gestão regional, e isso tem consequências graves para o desenvolvimento econômico e social de Minas”, afirmou Silberschneider. Segundo ele, a divisão em 17 territórios não será apenas um desenho novo no mapa de Minas. O secretário-adjunto acredita que, a partir de agora, por meio dos fóruns regionais, o Estado vai dispor de mecanismos para ouvir as demandas da população nas mais diversas regiões de Minas. 
“É preciso democratizar o acesso do cidadão à formulação das políticas públicas. Não é possível que a direção do Governo do Estado fique na Cidade Administrativa, enquanto o cidadão está em Araçuaí, Uberaba, Uberlândia e nos mais de 800 municípios mineiros”, pontuou.
A expectativa, segundo Silberschneider, é de que, ao longo da próxima década, Minas Gerais consiga ter efetivamente uma gestão regional de suas ações. “Esse é o nosso objetivo. E a participação popular entra como variável que pretende dar dinâmica a essa gestão”, ressaltou.
O secretário-adjunto explicou, ainda, que os fóruns terão caráter consultivo e deliberativo e as discussões serão por temas. “Em um primeiro momento, o fórum fará um diagnóstico da situação do território. Depois, levantará propostas e elegerá representantes regionais do futuro Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social a ser formado. A remodelação desses conselhos, que incluirá representações da sociedade e do Legislativo, servirá para fazer a apreciação do PMDI e do PPAG”, disse.
Deputados serão membros efetivos dos fóruns regionais
Francisco Moreira afirma que participação de deputados é fundamental no novo processo
Francisco Moreira afirma que participação de deputados é fundamental no novo processo - Foto: Alair Vieira
Os secretários-adjuntos de Estado de Planejamento e Gestão e de Governo falaram sobre a importância da participação dos deputados em todo esse processo. “Os parlamentares, tanto os da situação quanto os da oposição, serão membros natos nos fóruns. Serão consultores e definidores de políticas públicas, com direito a voto”, afirmou Francisco Eduardo Moreira. Ele disse que “a Assembleia participará ativamente” em todos os territórios. “Parlamentares terão diálogo ainda maior com as bases”, destacou.
Segundo Wieland Silberschneider, o processo de participação dos fóruns não vai excluir, em nenhuma instância, os deputados. “E inclusive só terá sucesso com a integração de todos os parlamentares. Não há como iniciar essa trajetória sem compartilhamento pleno com os deputados”, ressaltou.
Na opinião da deputada Marília Campos, o novo processo vai valorizar ainda mais a participação dos deputados na construção do PMDI e do PPAG. “Estamos sendo chamados a participar dos fóruns para elaborar na construção das políticas públicas”, reforçou. Ela e os deputados Fábio Cherem (PSD) e Emidinho Madeira (PTdoB), ao final da reunião, propuseram um requerimento para se criar um grupo de trabalho para discutir e estruturar o processo de participação popular e dos deputados no PMDI, no PPAG e na Lei Orçamentária Anual. O grupo será formado pela Assembleia, pela secretarias de Estado de Governo; de Planejamento e Gestão; e de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania.
Governo Digital será criado
Nilmário Miranda diz que governo cria espaços para ouvir população
Nilmário Miranda diz que governo cria espaços para ouvir população - Foto: Alair Vieira
Além da participação popular anunciada via fóruns regionais, o secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda, disse que o governador Fernando Pimentel vai criar em breve o Governo Digital, para ouvir as pessoas diretamente. “Por meio do recurso, cidadãos poderão se dirigir diretamente ao governador”, explicou. Segundo ele, a novidade está sendo “estudada e preparada”.
Nilmário Miranda disse que Pimentel está cumprindo o que prometeu como candidato, ao propor espaços para ouvir a população e estimular a sua participação. “A própria criação da nossa secretaria é prova disso”, disse. Ele lembrou também o recente acordo feito com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), sobre a proposta salarial e de reconstrução da carreira da educação. “Esse acordo é histórico. Estamos instituindo o diálogo como resolução de conflitos”, destacou.
A subsecretária de Participação Social da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Ana Amélia Penido, contou que serão realizadas neste ano conferências temáticas em todo o Estado para contribuir na discussão dos fóruns regionais sobre políticas públicas. “Essas conferências também fazem parte da mudança de cultura da política mineira”, ressaltou. “Propomos avançar da política representativa para a participativa”, acrescentou. Para ela, a participação social deve ser entendida como processo, não como um evento. “Deve ser entendida, ainda, como método de governo, que resgata o fundamento da república, que é o de que todo poder emana do povo”, concluiu.
A defensora pública Diana Camargos elogiou a proposta de criação dos 17 territórios de desenvolvimento regional. Ela disse que a gestão de Pimentel é marcada por ser participativa. “Foi assim na Prefeitura de Belo Horizonte e assim parece ser no âmbito estadual”, disse. Ela acredita que a participação popular legitima decisões tomadas por governantes. “E traz muitos benefícios para os cidadãos”, acrescentou.
Deputados elogiam a nova iniciativa
O deputado Emidinho Maderia disse que, quando a sociedade participa, “a solução dos problemas aparece”. Ele afirmou estar “encantado” com o novo projeto. “Com os fóruns regionais, o governo vai estar perto do povo e, com isso, poderá conhecer melhor a realidade”, ressaltou.
O deputado Fábio Cherem lembrou que o poder público não detém todo o conhecimento do que se deve fazer no Estado. “Isso reflete a humildade do poder. Que a modalidade de gestão participativa possa prevalecer e servir de exemplo para todo o País”, defendeu.
Já a deputada Marília Campos reforçou que o Governo do Estado se elegeu explicitando sua vontade de estabelecer um diálogo diferente com a população de Minas. “Será um avanço a elaboração de leis orçamentárias não mais dentro de gabinetes, mas em um processo de discussão com a sociedade mineira”, concluiu.

DOENÇA EM PEIXES PREOCUPA A POPULAÇÃO E LEVANTA SUSPEITA DE CONTAMINAÇÃO DAS ÁGUAS DO RIO JEQUITINHONHA.



Por: Maria Eliza Cota e Francy Eide Leal- Comunicadoras Populares da Cáritas Diocesana de Almenara/Baixo Jequitinhonha
Quem vive com/do rio vem percebendo mudanças na qualidade da água e o desaparecimento de espécies nativas de peixes após a construção das Barragens de Irapé e Itapebi. Recentemente alguns peixes têm apresentado feridas e infecções, o que preocupa muito toda a população do Vale do Jequitinhonha, e levanta a suspeita de que as águas do Rio também estejam contaminadas. Para debater e encaminhar propostas sobre assunto no dia 08/05/2015 Sociedade Civil e Poder Público do Baixo Jequitinhonha se reuniram em Almenara.

Na reunião discutiu-se o laudo do Laboratório de Doenças de Animais Aquáticos da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais –UFMG que analisou dois peixes adultos capturados no lago de Irapé no município de Grão Mongol. Os peixes foram submetidos à necropsia sistemática, exame bacteriológico e exame virológico.

Segundo o Laudo “Os resultados dos exames laboratoriais indicam a infecção dos animais avaliados pelas bactérias
Edwardsiella tarda (peixe 1) e Aeromonas hydrophila (peixe 1 e 2). Esses microrganismos são patógenos clássicos de peixes, mas também frequentemente encontrados no trato gastrointestinal de animais sadios e na água. 


Em geral, para que animais de vida livre sejam acometidos por esses patógenos é necessária à presença de fatores de risco como má qualidade da água (grande quantidade de matéria orgânica, redução de oxigênio dissolvido, compostos nitrogenados em excesso, contaminantes na água, amplitude térmica elevada na água etc.), bem como, situações de estresse por problemas ambientais ou ação antrópica. Esses fatores de risco podem estar ocorrendo no local de origem dos animais e predispondo a infecção e as lesões, devendo ser avaliados. Em casos de infecção pelos patógenos supramencionados é recomendada a realização da antibioticoterapia oral dos peixes. Porém, essa prática é inviável para animais de vida livre”. (grifos acrescidos).

Segundo Aline Ruas do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), desde o início dos trabalhos do Movimento na região do Médio Jequitinhonha há 3 anos foram relatados problemas de má qualidade da água, pessoas com doenças de pele, abandono das comunidades por falta de água potável, peixes contaminados dentre outros problemas. A partir deste ano começaram a trabalhar com os/as pescadores/as do Baixo e viram que os problemas são os mesmos.

“Onde tem barragem está acontecendo esse problema, o que levanta a suspeita que Irapé seja a causadora desses efeitos no rio. ”
(Aline Ruas)
Para o MAB outro ponto importante é a realização de um laudo dos impactos de Irapé em toda a Bacia Hidrográfica do Rio Jequitinhonha, não só a contaminação da água, como também questões produtivas que forçam o êxodo para as grandes cidades.

Segundo participantes da reunião a Cemig nega que seja a barragem a causadora da contaminação dos peixes. Para Ariosvaldo Teixeira, presidente da Colônia de Pescadores Z13, é do rio que os pescadores tiram o sustento, se não tiver peixe com qualidade não há condições de sobreviver, alguns já estão passando necessidade, quando pega o peixe não querem comprar.

“A má qualidade da água está afetando também a saúde das pessoas que dependem do rio. Os pescadores estão com manchas no corpo, coceira e outros problemas de pele. Todo dia que toma banho tem coceira no corpo”.
(Ariosvaldo Teixeira)
Faz-se urgente a realização da análise da composição física, química e biológica da água do Rio Jequitinhonha, com ela identifica-se os contaminadores e os riscos à saúde da população que depende do Rio Jequitinhonha.

Encaminhamentos Coletivos
Na reunião os representantes da Organizações da Sociedade Civil e Poder Público de 9 municípios do Baixo Jequitinhonha encaminharam a realização de Audiências Públicas Locais convocadas pelas Câmaras dos Vereadores para conscientização nos municípios; realização de Audiência Pública Regional convocada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais; e ação conjunta no Ministério Público pedindo investigação do caso. As datas ainda não foram informadas. Acompanhe em seu município os debates e as articulações políticas que estão sendo mobilizadas sobre a questão.
 Espera-se que as autoridades tomem conhecimento da situação e se posicionem, muitas famílias dependem direta ou indiretamente do rio para sua sobrevivência.

Veja aqui o resultado completo do exame laboratorial dos peixes:
http://www.caritasbaixojequi.com.br/imagens/fiquedeolho/Laudo_Aquavet_27112014_r1.pdf
Fonte: Imagens retiradas do vídeo de Ariosvaldo Texeira

Agressão a professora em Araçuai provoca protesto

Um video com as agressões, postado nas redes sociais, já foi visto por mais de 4 milhões de pessoas. O caso teve repercussão na imprensa brasileira e na BBC de Londres.

Foto: Gilmar Almeida/facebookAgressão a professora em Araçuai provoca protesto
Manifestantes querem providência das autoridades sobre o caso.
A agressão de um aluno de 14 anos a uma professora da Escola Estadual Dom José de Haas, em Araçuai, no Vale do Jequitinhonha está provocando indignação por todo o Brasil, depois que um vídeo com as imagens, foi postado em redes sociais e alcançou mais de 3 milhões de visualizações.

Na tarde desta quarta-feira (27.05) professores e alunos vestidos com camisetas pretas, e carregando faixas de protesto, realizaram uma caminhada  pedindo providências para o caso.

Os manifestantes percorreram um trecho da BR-367  que corta a cidade. Eles  finalizaram  a caminhada em frente à  Escola Estadual Dom José de Haas, onde ocorreram as agressões. O muro da escola foi coberto com lonas pretas em sinal de luto.

Manifestação foi finalizada em frente à escola que teve o muro coberto por lonas pretas em sinal de luto
Manifestação foi finalizada em frente à escola que teve o muro coberto por lonas pretas em sinal de luto



Video provocou revolta em milhões de internautas
Video provocou revolta em milhões de internautas


Imagens revoltantes

No vídeo, é possível ver o  aluno passando a mão nas nádegas da professora. Ele dá um tapa na cara dela e ainda  toca os seios da mulher. Ao  fundo, escutam-se os risos de outros estudantes, provavelmente crianças e adolescentes.

O aluno insulta a professora com palavras chulas. Ela tenta manter a calma e ele ainda derruba por duas vezes os livros que ela recolhia da biblioteca para serem guardados.

O jovem estuda na 6º série e, segundo a vice-diretora, Silvana da Cunha Melo, ele  esteve internado por decisão judicial em 2014 por ter agredido um  homem com um tijolo. 


— Ele nunca respeitou ninguém, não tem limite. A professora ficou tão constrangida que nem denunciou no dia. Quando fiquei sabendo, a levei na delegacia para fazer boletim de ocorrência. O vídeo não mostra, mas ele chegou a dar um chute nela", reclama Silvana Melo.

No dia 23 de abril convocamos o colegiado e ficou decidido que ele não seria mais aceito até uma decisão judicial, que até hoje não ocorreu. Em protesto, ele veio até a porta da escola, ficou chutando o portão e ameaçou quebrar o meu carro, informou a vice-diretora.
Segundo ela,  o jovem tem estrutura familiar "complicada".

— É filho de pais separados, o irmão mais velho já foi preso, o lugar em que mora é difícil, tudo contribui. Quando os pais não ajudam na formação, não comparecem na escola, é complicado. Hoje em dia o aluno faz o que quer e o professor não é respeitado
 
Confira o vídeo

O filme foi gravado em 10 de abril no município de Araçuaí, mas só ganhou fôlego nas redes sociais na semana passada.

 A cidade tem pouco mais de 37 mil habitantes. As imagens dos abusos foram vistas por quase 4 milhões de pessoa, só no Facebook. O caso também foi noticiado pela BBC de Londres e por jornais e TVs do Brasil.

“Como se já não bastassem os salários baixos, as péssimas condições de trabalho, ainda ter que aguentar tamanha falta de respeito. Basta! Façam alguma coisa autoridades competentes, pelo amor de Deus!!!! É de doer na alma!”, postou uma professora de São Paulo.

“Da até vontade de desistir da faculdade depois de um vídeo desse! Essa professora contou até mil, porque aguentar um desaforo desses e não fazer nada é para poucos”, escreveu uma internauta.

Pai do adolescente diz que está chocado

O pai do adolescente pediu perdão à professora pelo filho, mas “ ela não aceitou”, disse o homem de 51 anos, que está desempregado.

Ele contou que está muito deprimido e chocado com a repercussão do caso e que vai levar o filho para Belo Horizonte para tratar.
" Não vou abandonar meu filho ", disse o pai.

Ele conta que  desde o ano passado, percorre corredores do Ministério Público, da prefeitura municipal e do Conselho Tutelar de Araçuai, em busca de tratamento e internação para o garoto, que sofre de TDAH-um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e acompanha o indivíduo por toda a vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

De acordo com o pai, o garoto, que mora atualmente com a mãe,  está sem acesso à escola, a projetos sociais e não está recebendo a medicação que necessita. Por conta disso, o menino está causando sérios problemas e colocando a vida de outras pessoas em risco. 

Até o momento nenhuma autoridade se manifestou a respeito do fato. Em nota, a Secretaria de Educação afirma que uma superintendente e uma coordenadora  estão em  Araçuaí para apurar o caso e têm reunião marcada com a direção da escola, professores pais e o colegiado.

Ainda muito abalada a professora agredida prefere não gravar entrevista.

Fonte: Gazeta de Araçuaí

Araçuaí: Mulheres do Vale debatem sua participação na Política

Na foto, da esquerda para direita: Maria Helena Cardoso (SEDESE), deputado estadual Jean Freire, vice-prefeita Rita Capdevile, Aline Ruas do Movimento de Atingidos por Barragens, Graça da Fetaemg e Dôra de Piô, do Movimento de Mulheres Rurais. 
 Nesta segunda feira, 25.05, representantes de diversos municípios estiveram participando do Debate de Participação das Mulheres na política. O evento, que inicialmente seria realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foi cancelado, na sexta-feira, 22.05, devido a nenhuma das parlamentares da Bancada Feminina se dispor a participar do evento. Até mesmo as palestrantes convidadas para participar da Mesa de Abertura não foram avisadas oficialmente sobre a suspensão.

Estiveram presentes lideranças femininas de Araçuaí, Berilo, Chapada do Norte, Coronel Murta, Francisco Badaró, Itinga, Itaobim,  Medina, Ponto dos Volantes e Virgem da Lapa.

Lideranças das mulheres pediram para manter o debate, solicitando apoio ao deputado estadual Dr. Jean Freire que apoiou a realização do debate que aconteceu no Teatro Luz da Lua. A Prefeitura Municipal de Araçuaí também apoiou a realização do Debate. 
  
Na abertura, Jean Freire ressaltou a necessidade de um debate sobre as mulheres, principalmente no Vale: “A questão da mulher é primordial e necessária. E quando falamos da mulher do Vale, eu acho que é mais importante ainda. A mulher vem sendo esquecida em todos os aspectos, mas a trabalhadora rural sofre ainda mais com esta displicência”, lembrou, citando Graça, da Fetaemg, como uma pessoa inspiradora.

Em suas falas, as componentes da mesa ressaltaram a importância da manutenção do encontro. Aline Ruas chamou a atenção para a objetificação da mulher nos meios de comunicação e soltou o grito: “Mulher, água e energia não são mercadoria!”. Dôra de Piô frisou a necessidade de organização das mulheres em movimentos sociais e relembrou os percalços que enfrentou no início de sua atuação: “Quando iniciei minha caminhada, não tinha chinelos para calçar. Mesmo assim persisti na luta e continuarei persistindo enquanto vida tiver”, afirmou. Dôra também agradeceu a presença de Dr. Jean no debate.

O deputado ressaltou a disparidade entre os gêneros que ocupam cargos na Assembleia: “Na ALMG, as deputadas são minoria. Se vocês olharem para a mesa, não verão nenhuma deputada. E isso num país com mais de 50% de mulheres eleitoras, um país que tem uma presidenta no Planalto”, ressaltou. “Sem demagogia nenhuma: sinto a sensibilidade das mulheres na política”.

Dr. Jean também aproveitou a oportunidade para fazer um apelo aos pais: “Vamos incentivar nossos filhos e filhas a se interessarem por política. Não sei se minha filha Beatriz está aí, mas quero dizer que tenho muito orgulho dela. Com apenas onze anos, acompanho seu engajamento no dia a dia, nas postagens nas redes sociais, e inclusive no período eleitoral. Temos que incentivar a participação da mulher para que elas não sejam apenas um grande número no eleitorado, mas também nas candidaturas”.

O evento contou com as convidadas Dôra de Piô, Graça da Fetaemg, Aline Ruas, do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Dra. Rita Capdeville (Vice-Prefeita de Araçuaí), Maria Helena (Sedese Araçuaí) e Maria do Carmo a Cacá (Sedese em Araçuaí).

Evento cumpriu os objetivos — O Ciclo de Debates realizou as metas iniciais, como a discussão de meios para a inclusão da mulher numa reforma política e a reflexão sobre a representatividade feminina nos dias atuais. Os presentes se dividiram em grupos, levantaram demandas e realizaram uma avaliação sobre estes cinco meses de governo.

Documento será entregue para a Comissão das Mulheres — Ficou acordado, durante o evento, a feitura de documento que chegará à Comissão Extraordinária de Mulheres através de Dr. Jean, solicitando explicações sobre o cancelamento e reivindicando o reagendamento do evento. Outro documento, com demandas do Vale, será produzido pelo Fórum de Mulheres e também encaminhado ao gabinete do deputado estadual.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Gabinete Deputado Jean Freire. 

Criminalidade em Araçuai contrasta com poucos militares e falta de plantão nas delegacias

Sob o título, Aumento da criminalidade contrasta com poucos militares e falta de plantão nas delegacias, reportagem do Jornal Estado de Minas de domingo (25) expõe a fragilidade do combate ao crime na região do Vale do Jequitinhonha.

Foto: Sérgio VasconcelosCriminalidade em Araçuai contrasta com poucos militares e falta de plantão nas delegacias
´Moradores de Araçuai realizaram passeata para pedir paz e maior combate à impunidade e à violência
Araçuaí, com 36 mil habitantes no Vale do Jequitinhonha, também sofre com a criminalidade, como Padre Paraíso e outros municípios da região. Foram 56 crimes violentos no primeiro quadrimestre deste ano, mais da metade (57%) dos 98 durante todo ano de 2014.

Os dados são da Secretaria de Estado de Defesa Social sobre as ocorrências de homicídios (tentados e consumados), estupros (tentados e consumados), assaltos, roubos, sequestros e cárcere privado. No fim de abril, a população da cidade reagiu e organizou um protesto, cobrando providências das autoridades para combater assaltos, homicídios e tráfico de drogas na região.


Nos últimos anos, houve uma diminuição do efetivo policial em nossa cidade. Também não existem mais plantões na delegacia nos feriados e fins de semana, o que dificulta o trabalho da Polícia Militar. Como consequência, houve aumento da violência e do tráfico de drogas”, afirma o empresário Cleisson Santos Ribeiro, da Associação Comercial de Araçuaí, que liderou o protesto.


O comandante da 222ª Companhia da Polícia Militar de Araçuaí, tenente Gilamarcio da Silva Rocha, diz que o aumento da violência não é exclusividade do município, “está acontecendo em todo o estado de Minas Gerais” e no país. Segundo ele, o crime está saindo dos grandes centros e migrando para os municípios menores.



Para ele, uma das principais causas do avanço da violência no interior são as leis que abrandam as penas. O militar também destaca como problema a falta de um centro de internação para adolescentes infratores na região. Na última semana, um adolescente de 17 anos matou um gari a facadas e  horas depois já estava livre, devido à falta de um local adequado para abrigá-lo, informou o tenente.

 

No distrito de Barra do Salinas, em Coronel Murta, quadrilha aterrorizou moradores com assalto à casa de um pedrista
No distrito de Barra do Salinas, em Coronel Murta, quadrilha aterrorizou moradores com assalto à casa de um pedrista




ASSALTO 

Em Barra de Salinas,  distrito de Coronel Murta , cidade de 9 mil habitantes, no Norte de Minas, a tranquilidade foi quebrada por um assalto  cinematográfico na madrugada no dia 19.

O lugarejo de Barra do Salinas,  de pouco mais de 100 casas foi invadido por 13 criminosos, que roubaram 150 quilos de turmalinas e cristais do comerciante Amarildo Ferreira, de 47 anos, avaliados em R$ 1,5 milhão
A quadrilha usou três carros, um deles,  roubados na BR-251, na mesma região, pintado com o letreiro da Polícia Civil. Armados, eles danificaram o sistema de telefonia do distrito e as câmeras de circuito  interno de filmagem da casa de Amarildo.

“Foram momentos de terror. Fizeram minha família refém e colocaram uma arma na minha cabeça exigindo tudo”, contou o comerciante.

No mesmo dia, um dos carros usados no assalto foi abandonado em um distrito de Virgem da Lapa, no Vale do Jequitinhonha. A polícia investiga o caso, mas ainda não há pistas.

 
Bandidos pintaram adesivos da Polícia Civil em um carro queimado após o assalto
Bandidos pintaram adesivos da Polícia Civil em um carro queimado após o assalto

Isolamento e impunidade favorecem a violência


O coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Robson Sávio Souza Reis, diz que a escalada da criminalidade no interior está diretamente ligada a uma mudança cultural nas pequenas cidades, onde as pessoas ficam cada vez mais individualistas e distanciadas, eliminando a situação em que “todo mundo conhece todo mundo”.

Ele também afirma que, nos últimos anos, houve um esforço do governo para melhorar a segurança nas grandes cidades do estado, que fez com que o crime migrasse para o interior. “Isso também aconteceu no Nordeste do Brasil”, observa.

O especialista também aponta como causa do aumento da violência nas pequenas cidades a impunidade e a lentidão da Justiça e a falta de investigação e prevenção aos delitos.“Temos um modelo em que se cuida somente da repressão, sem valorizar a prevenção dos crimes”, critica Souza Reis.

Como exemplo, ele cita as explosões dos caixas eletrônicos com dinamite que proliferam Brasil afora. “Mas ninguém investiga o roubo da dinamite usada para explodir esses caixas”. Além disso, segundo ele, no Brasil somente 8% dos homicídios são julgados até a última instância. “Mais de 90% das pessoas que matam não são julgadas”, avalia.
Fonte: Estado de Minas / Gazeta de Araçuaí